Amazonas enfrenta maior epidemia de dengue dos últimos 10 anos
Postado em 13/04/2011 por Equipe PCEasy NET
O aumento do número de casos de dengue no Amazonas em 2011 preocupa autoridades e a população. Em 2010, foram 4.182 casos da doença, sendo 1.597 em Manaus. Este ano, o número já saltou para 40.011 casos e dez mortes confirmadas. As estatísticas ainda podem aumentar, por isso o apelo do Poder Público agora é para a mobilização dos amazonenses na eliminação dos criadouros do Aedes Aegypti.

Apesar do surto, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) afirmou que houve declínio no número de casos suspeitos de dengue. Segundo levantamento da secretaria divulgado na semana passada, o pico máximo da doença ocorreu entre os dias 27 de fevereiro e 5 de abril, quando foram registrados 4.988 casos. Entre os dias 20 e 26 de março, foram notificados 2.094 casos suspeitos de dengue.
Das dez mortes registradas no Amazonas, oito ocorreram em Manaus, uma no município de Tefé (distante a 253 quilômetros de Manaus) e outra em Novo Airão (a 115 quilômetros da capital). Segundo o Ministério da Saúde, já foram confirmados 11 casos de pacientes com dengue 4 no Estado. A endemia já estava presente no cotidiano do amazonense, mas há 10 anos, o Estado não registrava surto no índice de casos.
Atualmente, as cidades de Manaus e Tefé já registram epidemia da doença e os municípios de Barcelos, Coari, Codajás, Humaitá, Itacoatiara, Lábrea e Nova Olinda do Norte também estão em situação de emergência por conta da doença. De acordo com o Comitê Estadual de Crise, foram registrados 33.229 casos da doença apenas em Manaus. De acordo com a Susam, além da capital, 28 municípios serão monitorados em 2011.
Manaus lidera casos da doença no Amazonas
A capital amazonense é a cidade com mais casos de dengue no Estado. Só em janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) notificou 1.818 casos, sendo 83 confirmados. Segundo o levantamento, os casos aumentaram principalmente nas zonas Norte e Leste. Todas as zonas de Manaus estão em alerta e devem receber ações de combate ao mosquito da dengue.
O secretário municipal de saúde, Francisco Deodato destacou o papel da população na luta contra a doença. “O grande papel da população é somar neste esforço governamental e institucional, colaborando particularmente com o tratamento do lixo doméstico e com os cuidados do acúmulo de água, dentro e fora das residências”, explica Deodato.
Lixo e criadouros favorecem proliferação do mosquito
Outra preocupação das autoridades é quanto a proliferação do mosquito Aedes Aegypit em terrenos abandonados, onde ocorre acúmulo de lixo e entulhos. A cena é comum em diversos bairros. Um exemplo é um terreno localizado na rua Belo Horizonte, no bairro Adrianópolis, zona Centro Sul, tomado por lixo e caramujos africanos. O imóvel foi abandonado há dois anos, segundo moradores que não quiseram se identificar.
“O poder público tem o papel de fazer esta mobilização. Estamos com mais de três mil pessoas nas ruas envolvidas nesta luta contra a Dengue. Agora é importante que cada cidadão, tenha a preocupação de limpar seu quintal e sua casa que pode ser um local de proliferação do mosquito”, afirmou o secretário municipal de limpeza pública, José Aparecido dos Santos.
Proprietários de estabelecimentos com focos de criadores do mosquito também podem ser autuados pela Prefeitura de Manaus. O Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) começou a fechar o cerco aos empreendimentos e imóveis particulares de cidade. O flagrante de imóveis irregulares pode custar R$ 26 mil ao proprietário.
O alvo principal das blitze são oficinas, ferros-velhos, borracharias, galpões de material para reciclagem, terrenos baldios, entre outros. As autuações são feitas com base em artigos do Decreto 3.910/97 (que integra o Código Sanitário). De um total de 42 estabelecimentos autuados por registrar focos do mosquito da dengue a Prefeitura já multou, até o mês de fevereiro, 21 proprietários por não adotarem medidas para sanar o problema.
Denúncias de focos de dengue aumentam no primeiro trimestre
No primeiro semestre deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) já recebeu 4.767 denúncias por meio do Disque-Dengue. Somente no mês de março, foram registradas 1.901 ligações. O pico de denúncias aconteceu em fevereiro quando foram contabilizadas 2.466 ligações. A Semsa também faz um apelo à população para ligar no número 0800-280-8-280 e auxiliar os trabalhos das equipes de fiscalização da “Operação Impacto de Combate à Dengue” que já eliminou mais de 220 mil criadouros do Aedes Aegpity em Manaus.
Sintomas da doença
A dengue pode se manifestar nas formas clássica, hemorrágica e tipo 4. O último vírus é proveniente da Venezuela e circula na capital. A dengue clássica apresenta-se geralmente com febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos. A dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença, pois além dos sintomas citados, é possível ocorrer sangramento e morte.
Após a picada do mosquito da dengue, os sintomas da doença se manifestam a partir do terceiro dia. O tempo médio do ciclo é de cinco a seis dias. O intervalo entre a picada e a manifestação da doença chama-se período de incubação. O paciente com dengue deve ficar em repouso, beber muito líquido e só usar medicamento para aliviar as dores e a febre, sempre com indicação médica.
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