Após a saída de Zico, vice de futebol entrega o cargo no Flamengo

Postado em 02/10/2010 por Equipe PCEasy NET

A presidente do clube irá se pronunciar em entrevista coletiva que será realizada no auditório Rogério Steinberg às 17h30, na Gávea. Patrícia Amorim deverá falar sobre as diretrizes que irão tomar conta do Flamengo.

A saída de Zico já começa a trazer consequências ao Flamengo. Prova disso é que a presidente, Patrícia Amorim, convocou uma reunião de emergência com toda a diretoria e o departamento jurídico para que seja definido o futuro do clube agora sem o seu diretor executivo. Além disso, o vice de futebol, Vinícius França, acaba de entregar o cargo.

A presidente do clube irá se pronunciar em entrevista coletiva que será realizada no auditório Rogério Steinberg às 17h30, na Gávea. Patrícia Amorim deverá falar sobre as diretrizes que irão tomar conta do Flamengo.

Enfrentando muitas resistências no Flamengo, Zico, que exercia o cargo de diretor executivo, resolveu deixar o clube. Sua saída foi confirmada no início da madrugada de sexta-feira, pelo próprio Galinho, o maior ídolo da história rubro-negra, em seu site oficial “Zico na Rede”.

O principal motivo para o desligamento do clube foram as acusações do Conselho Fiscal em relação às negociações e suposto envolvimento dos seus filhos no futebol rubro-negro. Ultimamente, o ídolo andava calado e dificilmente conversava com a imprensa.

Coincidência ou não, durante o dia circulava na Gávea a informação de que Zico poderia deixar o Flamengo no fim de semana. Na calada da noite a decisão foi anunciada.


Zico deixa o Flamengo disparando críticas contra a diretoria do clube

Para muitos torcedores, Zico era a maior – talvez a única – esperança de unir todas as correntes políticas e de reerguer o Flamengo. Mas nem ele, maior ídolo da história rubro-negra, conseguiu tocar o projeto de estruturar e dar mais credibilidade ao clube. Em quatro meses como diretor-executivo, conviveu com críticas internas e acusações não comprovadas de que um de seus filhos estaria envolvido em transações de jogadores do time. Nesta sexta-feira, magoado, pediu demissão. Sua saída agrava a crise de uma equipe em desespero no Campeonato Brasileiro: ameaçada de rebaixamento e sem paz para enfrentar neste sábado o Botafogo, no Engenhão. Junto com Zico, saiu também o vice-presidente de futebol, Vinícius França.

“Morreu no meu coração esse Flamengo de hoje que está representado por essas pessoas, algumas delas que nem sequer conheço e atuam dentro do clube como se fossem os donos”, relatou Zico, em carta divulgada em seu site oficial, ao comunicar que deixaria o comando do futebol rubro-negro.

Zico refere-se principalmente ao seu maior desafeto no clube: Leonardo Ribeiro, conhecido como Capitão Léo, ex-chefe de torcida organizada e atual presidente do Conselho Fiscal. Ribeiro levantou suspeitas de que Bruno Coimbra, filho do Galinho de Quintino, teve participação na contratação de jogadores como o atacante Cristian Borja. Além disso, questionou a parceria entre o Flamengo e o CFZ, clube fundado por Zico e hoje sob comando do fundo de investimentos MFD. Alegava que o acordo seria lesivo ao clube da Gávea.

Capitão Léo é famoso nos bastidores rubro-negros por seu gênio truculento e por se envolver em confusões. No último Fla-Flu, em setembro, pelo Campeonato Brasileiro, foi detido por policiais por causa de conflito com tricolores. Ficou preso por dois dias e será julgado em 11 de janeiro de 2011. “Tomar uma decisão como essas não é fácil. Mas espero que todos entendam que não posso carregar comigo a desconfiança de um dos setores mais importantes do clube, o Conselho Fiscal. E não há condições de debater com essas pessoas que estão a serviço de sabe-se lá quem ou o que, dispostas a jogar sujo e minar o próprio clube”, disse Zico.

Em junho deste ano, ele aceitou o convite da presidente Patrícia Amorim para assumir o cargo de diretor executivo. Sua principal meta era construir um Centro de Treinamento (CT), principal demanda do time profissional, e reestruturar as divisões de base, atualmente em situação crítica, com muitos jogadores já fatiados entre grupos de investimento antes mesmo de chegar à equipe principal.

“O projeto foi retardado, mas não abalado”, afirmou Patrícia. “Ainda conto com Zico para nos ajudar nesse sonho maior de ter um CT”. Com a saída dos atacantes Vágner Love e Adriano, Zico buscou soluções mais baratas. Cristian Borja, Val Baiano e Leandro Amaral vieram sob a desconfiança da torcida e o time continuou em queda no Brasileirão. Por isso, ele se viu obrigado a abandonar a política de austeridade financeira para contratar Deivid, Diogo e Renato, que chegaram fora de forma física.

Na semana passada, Zico recebeu críticas por permitir que pelo menos dez torcedores se reunissem com os jogadores, a portas fechadas, para cobrar mais empenho. Na tarde desta sexta, enquanto mais de cem rubro-negros faziam manifestação em frente à Gávea contra a renúncia do maior ídolo, Zico se despedia do elenco no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande (zona oeste do Rio de Janeiro), e não conteve as lágrimas.

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