Cientistas conseguem detectar sinais de consciência em cérebro de paciente em coma
Postado em 04/02/2010 por Equipe PCEasy NET
Cientistas americanos conseguiram identificar sinais de consciência em um paciente em estado vegetativo, e se comunicaram com o doente enquanto este respondia as perguntas apenas mentalmente. Para os pesquisadores, este é um marco da ciência, que poderá, em um futuro próximo, transformar a maneira como médicos, enfermeiros e familiares tratam pacientes em coma.
O teste, divulgado no “New England Journal of Medicine” , foi feito em um paciente de 22 anos que sofreu um acidente de carro e está em estado vegetativo há sete anos. Os médicos das universidades de Cambridge, na Inglaterra, e de Liège, na Bélgica, pediram ao paciente belga que imaginasse atividades motoras, como jogar tênis, para responder “sim”, e imagens espaciais, como ruas, para indicar “não”.
Os especialistas sabiam que cada tipo de pensamento ativaria uma área diferente de seu cérebro. Portanto, por meio de uma técnica de Imagem por Ressonância Magnética Funcional (IRMF, na sigla em inglês), que monitora a atividade cerebral do paciente em tempo real, eles puderam identificar suas respostas.
O paciente respondeu corretamente a cinco das seis perguntas sobre sua vida pessoal. Ele conseguiu confirmar o nome de seu pai, por exemplo.
- Nós ficamos atônitos quando vimos os resultados do exame do paciente. Ele foi capaz de responder corretamente às questões que fizemos simplesmente alterando seus pensamentos – disse Adrian Owen, professor de neurologia da Universidade de Cambridge e um dos coordenadores da pesquisa , à rede BBC.
Este estudo mostra que os exames tradicionais podem não identificar pacientes que têm algum tipo de consciência. O porta-voz da Academia Americana de Neurologia afirmou que, desde que um estudo similar foi divulgado há quatro anos, familiares de pacientes em coma tem exigido mais ressonâncias para avaliar a atividade cerebral.
Porém, os pesquisadores alertam que o resultado vai depender do motivo que levou a pessoa ao coma. As chances de perceber sinais positivos é mais comum em pessoas que sofreram algum tipo de trauma cerebral, não naqueles que entraram em coma porque ficaram sem oxigênio, como a americana Terri Schiavo, que morreu em 2005.
No total, o grupo trabalhou com 54 pacientes que sofrem de desordem de consciência, dos quais 23 estão em estado vegetativo. Eles também usaram a técnica com voluntários saudáveis, para efeito de comparação. A pesquisa concluiu que dos 54 pacientes envolvidos, cinco foram capazes de voluntariamente alterar sua atividade cerebral. Três deles demonstraram inclusive algum grau de consciência, mas os outros dois não necessariamente mudaram seus pensamentos conscientemente.
Para os pesquisadores, o estudo abre o caminho para que o paciente em estado vegetativo possa tomar decisões quanto ao seu tratamento.
- Você poderia perguntar se os pacientes sentem dor e então prescrever algum analgésico, e você poderia ir além e perguntar a eles sobre seu estado emocional – explicou Adrian Owen.
O uso dessa técnica pode levantar questões éticas, como por exemplo, se é correto desativar os aparelhos para deixar um paciente em estado vegetativo morrer, já que ele pode ter algum grau de consciência e até capacidade de manifestar vontade própria.
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