Desperdício de água no Estado do Amazonas é de 60%
Postado em 23/08/2010 por Equipe PCEasy NET
As perdas de água no Estado chegam a 60% do total tratado pela concessionária Águas do Amazonas, segundo o diretor da empresa, Arlindo Sales. O desperdício está acima da média nacional, que é da ordem de 37%, conforme o Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto de 2008, elaborado pela Secretaria Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Sales atribui as perdas ao uso irracional da água, principalmente por consumidores que fraudam o sistema de distribuição. Ao ter o fornecimento interrompido por inadimplência, segundo o diretor, há consumidores que fazem religações clandestinas e acabam consumindo muito mais do que se estivessem em situação regular. A estimativa da Águas do Amazonas é a de que 75 mil domicílios fraudem o sistema de distribuição.
De acordo com o diretor, enquanto uma família de quatro pessoas consome em média 20 mil litros de água por dia, uma família que é servida por ligações clandestinas consome 80 mil litros por dia. “Por causa das fraudes, a Águas do Amazonas produz água para três milhões de pessoas e não consegue atender plenamente 1,8 milhão”, declarou.
Norte
Na Região Norte, conforme os dados da Secretaria Nacionald e Informações sobre Saneamento, as perdas de água são de 53,4% em média. A direção do Departamento Estadual de Água e Saneamento do Acre (Deas) apontou um percentual de 58% a 60% nas perdas do Estado. No Pará, de acordo com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), as perdas são de 48%.
As diretorias das duas concessionárias também apontam as fraudes e o uso irracional da água como os principais motivos do alto índice de perdas na Região Norte.
“No caso dos desperdícios temos feito um trabalho, desde o início das operações, chamado Portas Abertas, que inclui visitas às escolas e empresas, abordando temas como meio ambiente, saneamento básico, abastecimento e tratamento de água, além de campanhas com orientações de consumo, uso racional e combate às fraudes e furtos”, afirmou o diretor da Águas do Amazonas.
Poços
Sales propôs, ainda, que a Águas do Amazonas tenha apoio policial para evitar a proliferação de poços artesianos ilegais. “Mesmo os poços liberados pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas) prejudicam o sistema público. Muitas vezes, mesmo com água encanada o consumidor fura um poço só pra ter o próprio poço em casa. Assim, esgotam-se as formas estratégicas de extração de água”, afirmou o diretor da concessionária.
Segundo o Ipaam há uma parceria entre o instituto e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) na definição de critérios para a outorga das águas subterrâneas. O órgão informou que realiza um cadastramento dos poços instalados em Manaus que vai permitir fazer um diagnóstico de quem usa poço (condomínios, postos, indústrias, residências), para que utiliza, qual a profundidade deles e se há fonte de contaminação próxima.
Somente após esse cadastro, serão definidos os critérios que vão definir a outorga do uso das águas subterrâneas que deverão ser aprovados pelo CRPRM. Atualmente, segundo o Ipaam, há 7.895 poços cadastrados no Amazonas.
Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Sérgio Bringel, é preciso haver fiscalização dos órgãos públicos quanto à proliferação dos poços no Estado. “Muitas vezes os poços irregulares são rasos (de 40 a 60 m) e após várias retiradas causam um vácuo que impede a reposição da água, além de causar a contaminação do lençol freático”, afirmou Bringel.
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