Discurso de Alfredo no Senado cria expectativa. Fonte: A Crítica

Discurso de Alfredo no Senado cria expectativa

Postado em 01/08/2011 por Equipe PCEasy NET

A data do pronunciamento do senador Alfredo Nascimento (PR) no Senado é definida hoje com o presidente da Casa, José Sarney (PMDB). Aliados e amigos próximos de Alfredo Nascimento indicam que tom de discurso não será de enfrentamento ao Governo Federal. O ex-ministro deve dar prioridade a defesa do PR e ao esclarecimento das acusações feitas contra o filho dele, Gustavo Nascimento, que aumentou em 86.500% o patrimônio em dois anos. O recesso parlamentar termina nesta terça-feira, 2 de agosto.

A informação sobre a data do pronunciamento é da assessoria de comunicação do senador. Alfredo Nascimento deixou o Ministério dos Transportes, depois de cinco anos a frente da pasta no dia 6 de julho, sob enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo inclusive enriquecimento ilícito do filho, Gustavo Nascimento. As primeiras denúncias foram publicadas pela revista “Veja” em 2 de julho deste ano.

O ex-ministro passou quase um mês em silêncio, transitando nos bastidores entre Brasília e Manaus. Evitou o contato com a população e imprensa. Nesse período, as denúncias de irregularidades com o uso do dinheiro público na pasta que era comandada por Alfredo Nascimento multiplicaram na mídia nacional. Foram 20 demissões e outras ainda são aguardadas, inclusive em indicações pessoais de Alfredo no Amazonas.

Notas publicadas na “Folha de São Paulo”, “Globo” e “Estadão” indicavam que Alfredo se sentia traído e abandonado pelo Planalto. Na sequência da sangria ao PR, as especulações na mídia eram de que ele no retorno ao Senado faria um discurso de enfrentamento ao governo.

Apontado nos bastidores como o orientador de Alfredo no trabalho articulação do discurso do Senado, o professor Aloísio Braga nega que esteja o ajudando. Amigo próximo de Alfredo e 2º suplente do senador, Aloísio Braga afirmou que na opinião dele Alfredo fará um discurso mais político do que técnico. “As explicações técnicas já foram levadas ao Congresso por Pagot (Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional (Dnit). E foram bem feitas. Mas em relação às questões do partido e do filho dele há vazios a esclarecer”.

Aloísio Braga aposta que Alfredo não cairá nas armadilhas da oposição que busca que ele entre em confronto com o Planalto. Para Aloísio o “fogo-amigo” não deve persistir. Isso porque, ao contrário do que ocorreu na crise que motivou a saída do ex-ministro Antônio Palocci, Alfredo não foi blindado pela base aliada. Ao contrário, ficou isolado e caiu quatro dias depois das primeiras denúncias. “Como é que uma pessoa consegue ser três vezes ministro se tem alguma coisa errada. Será que alguém era tão cego e não viu nada antes?”, questionou Braga.

Defesa terá muitos documentos

Antes de entregar a carta de demissão a presidente Dilma Rousseff (PT), Alfredo Nascimento havia sido convocado para dar explicações no Congresso Nacional, assim como o ex-diretor-geral do Dnit, Antônio Pagot. Apenas Pagot foi sabatinado no Congresso. Alfredo, ao assumir a vaga de senador, pediu licença que emendou com o recesso parlamentar. Na ocasião, a estratégia foi apontada como uma forma de evitar o auge da crise para voltar quando os ânimos já estivessem mais calmos. Aliados de Nascimento informaram que ele juntou documentos e com o auxílio de pessoas com conhecimento técnico comprovará que o patrimônio que aumentou escadalosamente não é só do filho, mas também dos sócios dele. Nos bastidores, pessoas próximas a Alfredo afirmaram que logo após a saída dele no ministério se sentiu abandonado.

O discurso de Alfredo Nascimento no Senado deve ser no plenário. Estes pronunciamentos, em geral, duram 20 minutos. Líderes de partidos, em geral, conseguem fazer discursos de 30 minutos. No entanto, os apartes feitos por outros senadores durante o discurso pode ampliar bastante a duração do mesmo. O senador Aécio Neves (PSDB), por exemplo, ao discursar para esclarecer o flagrante de uma irregularidade de trânsito no mês passado, tomou toda a tarde e entrou pela noite na tribunal. Foram cerca de cinco horas.

A assessoria de comunicação de Alfredo Nascimento informou que ele deve chegar a Brasília nesta segunda-feira (1º).

ALE-AM anuncia projetos

Depois de 15 dias de recesso parlamentar, oficialmente, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) deve retomar suas atividades hoje. Já a primeira sessão plenária será realizada somente a amanhã. Segundo o presidente da ALE-AM, deputado Ricardo Nicolau (PRP), a Casa realizará duas sessões itinerantes no interior do Estado neste segundo semestre. Os municípios escolhidos são Parintins e Tabatinga. Ainda não foram definidas as datas das sessões. “Vamos fazer reuniões diferentes, com participação de prefeitos, vereadores e outras autoridades”, disse Nicolau.

Durante o recesso parlamentar, o Governo do Estado enviou à ALE-AM projeto de lei que trata do reajuste de 8% para servidores da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). A categoria pede 12%. Segundo Nicolau, a matéria será deliberada.

Outra matéria que deve ser objeto de discussão entre os parlamentares neste período trata justamente do fim do recesso parlamentar do meio do ano. O projeto é de autoria do deputado Belarmino Lins (PMDB).

Investigação

No retorno ao Senado, Alfredo Nascimento terá que enfrentar denúncia apresentada contra ele na Comissão de Ética do Senado pelo PSOL e uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Um processo apurado pela Comissão pode levar a perda de mandato, entre outros desfechos. Mas a oposição não aposta que a Comissão leve adiante a denúncia e reúne forças para abrir uma CPI dos Transportes. Pela esmagadora maioria da base aliada na Câmara, a possibilidade uma CPI na pasta que era comandado por Alfredo só é possível no Senado.

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