Eleitores amazonenses descrentes defendem voto nulo
Postado em 23/08/2010 por Equipe PCEasy NET
A tímida participação popular na audiência pública realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) no último dia 13 de agosto, sobre o proceso eleitoral, evidenciou o pouco interesse do eleitorado no pleito deste ano. Eleitores ouvidos pelo D24AM demonstraram descrédito na política e manifestaram a intenção de anular o voto ou votar em branco, como forma de protesto ou insatisfação.
Esse é o caso do funcionário público Edmilson Carneiro, 61. Para ele, os principais candidatos ao governo não têm idoneidade para exercer o cargo e aqueles que representam partidos menos expressivos não têm preparo para a administração pública. “Não vou votar por uma questão de princípios políticos. Para mim, nenhum desses que se apresentaram tem propostas para merecer o meu voto”, afirmou.
A estudante universitária Nathane Dovale, 20, também não tem interesse em votar em nenhum dos seis candidatos ao governo estadual. “O que incomoda é que ao invés de usarem o tempo de campanha para apresentar seus projetos, boa parte se preocupa em criticar o adversário, aí sobra para nós, eleitores, assistir a essa troca de acusações”. Para Nathane, o voto nulo não causa prejuízo e é uma forma de protesto para deixar claro que o eleitor não está satisfeito com a forma como a política é conduzida.
O recepcionista Alan Leão, 20, reclamou da falta de compromisso dos políticos com a população e afirmou não acreditar que até o dia 3 de outubro, data das eleições, algum candidato consiga conquistar a sua confiança. Para ele, outro fator que contribui para a anulação do voto é a inexistência de entendimento dentro dos próprios partidos. “Não dá para confiar em candidatos de partidos que vivem em conflito e não encontram um entendimento”.
Sem renovação
O baixo índice de renovação política também é tido pelos eleitores como outro problema na hora de escolher em quem votar. “Não vejo ninguém que mereça o meu voto. Todos os candidatos que aí estão vieram do mesmo lugar, têm a mesma origem”, afirmou a dona de casa Vanessa Carvalho. Ela disse que prefere anular o voto a ter que eleger alguém por considerá-lo “o menos pior” entre demais.
Pouco debate
Para o sociólogo Luiz Fernando Santos, a questão do voto nulo ou branco é um problema sério, uma vez que é o resultado da falta de debate e discussão de ideias entre sociedade e políticos. Ele acredita que a política hoje foca muito mais na imagem do candidato do que no que ele tem a oferecer. “A política hoje é baseada no personalismo extremo, quando os candidatos não são tão carismáticos, isso desestimula o eleitor. A política atual é pensada na personalidade e não nos programas”, avaliou.
O analista político Gilson Gil acredita que a discussão de ideias foi deixada de lado pelo marketing eleitoral, considerado atualmente pelos concorrentes como mais importante que a apresentação de projetos. Ele ainda aponta as leis eleitorais e suas restrições como fatores que dificultam a apresentação de propostas e o debate político, contribuindo para o desencanto popular.
O procurador Regional Eleitoral Edmilson Barreiros discorda do sociólogo e acredita que as restrições apenas inibem o abuso do poder político e econômico. “O candidato sempre vai conseguir levar a mensagem ao eleitor. Eu acredito que as pessoas estejam acostumadas a fazer campanha com muito dinheiro e agora com certas restrições vão ter que ir muito mais para a rua e talvez estejam desacostumadas”, argumentou.
Para Barreiros, o voto nulo ou em branco, apesar de muitos acreditarem ser uma forma de protesto, na prática nada mais é que abrir mão de opinar e de exercer o direito à democracia, deixando de ter uma participação legítima no processo. Ele recomenda que o eleitor vote procurando acertar, analise os candidatos e escolha o que melhor se apresentar, mesmo que não seja considerado o ideal.
Prejudicial
O juiz eleitoral Marcos Maciel é categórico ao afirmar que anular ou votar em branco é extremamente prejudicial para o País. “O voto nulo é um péssimo negócio. Talvez quem vote dessa forma não tenha ideia do poder que possui, porque só se muda um país se houver uma mobilização da sociedade e no caso do Brasil isso passa pela eleição”. O juiz afirmou, ainda, que o eleitor precisa dar mais crédito aos políticos e procurar conhecer a fundo as atuações e realizações de cada candidato que se apresenta.
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