Eleitores vão às urnas em clima de batalha
Postado em 20/09/2009 por Edson
Casas ostentam, no alto, bandeiras coloridas usadas como códigos dos candidatos que hoje disputam a prefeitura
COARI (AM) - Depois de oito anos de domínio político do grupo do ex-prefeito Adail Pinheiro, cuja gestão foi marcada por escândalos e denúncias de corrupção, fraudes em licitações, grupo de extermínio, exploração sexual de crianças e adolescentes, sonegação de contribuições à Previdência Social e desobediência à Justiça, os eleitores de Coari voltam às urnas hoje com a esperança de que o prefeito eleito inaugure uma era de transparência, respeito à liberdade de expressão e incremento de políticas de geração de emprego e renda. Esse foi o sentimento captado por A CRÍTICA de populares nas ruas da cidade que, nos últimos dez anos, recebeu R$ 346,7 milhões de royalties do petróleo e gás.
Para o pároco do município, padre Inácio Raposo da Silva, contudo, a história de escândalos em Coari tende a se repetir se a população não se organizar para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e cobrar políticas de elevação da cidadania.
“Não existe salvadores da pátria. O que temos no município é uma política do apadrinhamento. O que vimos na campanha eleitoral foi uma briga de grupos políticos pelo poder, grupos que um dia estiveram juntos e depois se dividiram. Faltou propostas. Faltou assumir compromissos com o povo”, criticou o religioso.
Oportunismo
Morador do município desde 2001, Inácio Raposo diz que o político coariense encarna a imagem do oportunismo. Ele ressalta que a campanha eleitoral ao invés de ter servido de espaço para a reflexão dos problemas da cidade limitou-se a agressões de lado a lado e ao apelo emocional de discursos de cunho messiânico.
“Nos comícios, o que ouvimos foram frases religiosas e bíblicas de efeito emocional e músicas gospel como uma forma de adormecimento das consciências. Isto é um perigo para a consciência política. O problema não é só o político que é corrupto. O povo também o é porque aceita vender o seu voto. E abre mão da sua liberdade civil”, afirmou o pároco.
Padre Inácio Raposo afirma que, se o próximo prefeito, quiser colocar a cidadania em primeiro plano vai ter que investir no desenvolvimento das comunidades rurais com políticas de amparo à agricultura familiar para tirar os ribeirinhos da situação de dependência econômica dos programas assistencialistas da prefeitura, que tolhem a liberdade de consciência.
“É preciso viabilizar a reserva ambiental extrativista do Lago do Mamiá, que vai beneficiar mais de 40 comunidades com o manejo sustentável da flora e da fauna”, defende o religioso.
A professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Liliam Regiane Merine, também afirma que a população precisa se organizar para cobrar da nova administração transparência no emprego das verbas e compromisso com as políticas públicas.
“Acredito que as coisas vão melhorar. A sociedade já não se sente tão desprotegida. Começou a perceber que a justiça e o Estado de Direito existem. Essa pressão que estamos vivendo pode contribuir para uma mudança de comportamento”, declara.
Fonte: Jornal A Crítica
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