Falta de disputa interna adianta candidaturas Dilma e Serra e endurece debate

Postado em 26/01/2010 por Equipe PCEasy NET

Em tese a ministra Dilma Rousseff e o governador José Serra são pré-candidatos à Presidência da República. Mas a definição antecipada das disputas internas no PT e no PSDB para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já os coloca como adversários certos nas urnas em outubro. E também permite há pelo menos uma semana ataques mais duros a suas candidaturas, por meio da imprensa e da internet.

Serra, líder nas pesquisas de intenção de voto, e Dilma, que se consolidou como segunda colocada, evitam trocar ataques. Mas seus partidários já usaram termos como “hipócrita”, “mentirosa” e “jagunço” para se referir a adversários. Sobre a ministra-chefe da Casa Civil há também um novo debate: ela é mineira ou gaúcha? Em apenas uma semana no início do ano PT e PSDB trocaram notas, provocações e ameaças de processos na Justiça, dando início oficialmente ao ano eleitoral.

Para Ricardo Caldas, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), o tom de membros dos dois partidos rivais se elevou no início do ano para manter a disputa nos holofotes, já que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou desistência na tentativa de ser presidente a partir de 2011. Dilma, indicada por Lula em 2007, tampouco precisou discutir internamente com outro pré-candidato.

“É muito curioso, eles viraram candidatos por falta de disputa interna”, disse Ricardo Caldas, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), ao UOL Notícias. “Por isso eles têm de atuar mais claramente e isso acirra os ânimos mais cedo. No caso de Dilma por um motivo ainda maior: ela está atrás nas pesquisas de intenção de voto e ainda não deslanchou. Enquanto não deslanchar nas pesquisas o debate deve continuar duro.”

As provocações se acirraram com uma entrevista do presidente do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), à revista “Veja”, na qual ele diz que a eleição de Serra significará o fim do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – coordenado por Dilma e chamado pelos tucanos de peça de propaganda. Em discurso ao lado de Lula em Minas Gerais, a ministra acusou os adversários de desejarem o fim de obras como a que estava inaugurando, o que gerou uma nota furiosa do PSDB.

Tentando rótulos

“Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão”, escreveu o presidente do partido oposicionista, referindo-se também à confusão sobre as reais credenciais acadêmicas da ministra.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o eleito, José Eduardo Dutra, revidaram e acirraram de vez o clima entre as pré-candidaturas. “O que mais salta aos olhos é a hipocrisia do candidato do PSDB, José Serra, que ao mesmo tempo em que afirma estar ‘concentrado no trabalho’ e que ‘não vai entrar nenhum bate-boca eleitoral de baixaria’, usa o presidente do seu partido como um verdadeiro jagunço da política para divulgar uma nota daquele teor.”

Para Caldas, da UnB, além da tentativa dos partidos de cravar rótulos nos adversários há a tentativa cada vez mais forte de Dilma se associar à figura de Lula e de Serra se dissociar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com baixa aprovação popular em pesquisas de opinião pública.

O aumento do tom entre os dois principais candidatos das eleições presidenciais, diz o cientista político, “espreme o deputado Ciro Gomes e a senadora Marina Silva para o canto”. E também produz debates pouco relevantes, segundo ele, como a busca de identificar Dilma com Minas Gerais, Estado onde ela nasceu e cresceu apesar de ter sua carreira mais ligada ao Rio Grande do Sul.

Para os tucanos, a ministra quer forçar uma associação indevida. Para os petistas, a disposição é de mostrar raízes de sua candidata no segundo maior colégio eleitoral do país, em grande parte desapontado com a desistência de Aécio da disputa. “A tendência daqui para a frente é que esse debate se acirre mais”, disse Caldas. “Qualquer minidebate pode virar uma grande questão. E até a campanha chegar à TV e às ruas vai demorar. Eles vão ter de arrumar motivo para brigar.”

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