Seca atinge municípios do alto Solimões

Postado em 03/09/2010 por Equipe PCEasy NET

O nível do Amazonas estava na terça-feira 105,97 metros acima do nível do mar na cidade de Iquitos, 50 centímetros abaixo do registrado em 2005, até então o nível mais baixo em quatro décadas.

Municípios da Calha do Juruá já estão sentido os efeitos do baixo nível do rio Amazonas na cabeceira, que fica no Peru. De acordo com autoridades da província de Loreto, o rio está 50 centímetros abaixo do registrado em 2005 na região de Iquitos. O serviço de meteorologia peruano afirma que a queda do nível das águas – que deve perder outros 20 centímetros até o meio de setembro – é causada pelas altas temperaturas e pela falta de chuvas na região.

Fazem parte da Calha do Juruá os municípios de Guajará, Ipixuna, Juruá, Envira, Eirunepé, Carauari e Itamarati. Segundo assessoria da Associação dos Municípios do Amazonas (AMA), com exceção de Itamarati, os demais podem sofrer com falta de combustível para gerar energia elétrica. São pelo menos 80 mil pessoas que já estão isoladas de Manaus, sem condições de viagem pelos rios.

A situação será discutida em coletiva hoje às 14h na sede da AMA pelo prefeito de Itamarati João Campelo, que pretende fazer uma alerta sobre a seca que atinge a Calha do rio Juruá.

Municípios em estado de alerta

Em Itamarati o nível do rio Juruá já está a pouco mais de 60 centímetros de alcançar a marca registrada em 2005, quando o Amazonas teve sua maior estiagem em 50 anos. Em Carauari o rio não tem mais profundidade suficiente para que balsas com mercadoria e combustíveis cheguem à cidade. O transporte está sendo feito através de “canoão”, e pode levar até 30 dias pra chegar a sede do município.

Na região peruana pelo menos seis barcos ficaram encalhados pela falta de água nas últimas três semanas. Várias companhias de transporte foram forçadas a suspender o serviço, disse o chefe regional da defesa civil, Roberto Falcon. As viagens pelo rio entre Iquitos e outras cidades da região amazônica geralmente duram entre 12 e 15 dias. Agora, têm levado o dobro, disseram funcionários.

Seca pode ser maior que em 2005

“Se não acontecer uma mudança nessa falta de chuva que está ocorrendo na cabeceira do Amazonas, lá no Peru, possivelmente vamos sentir os efeitos e uma seca de grandes proporções pode ocorrer já no começo de outubro”, é o que explica Dr. Sérgio Bringel, pesquisador de Rescursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

Bringel afirma que o rio Amazonas não produz sua própria água e como dependente dos mais variadas mudanças climáticas para manter seu nível hídrico estável, pode em muitos casos sofrer grandes secas e cheias. “Essa chuva que falta no Peru, conseqüentemente, essa água que vai diminuindo vai nos trazer um problema de seca igual aquela de uns anos atrás (2005). Isso é normal, mas deve ser tratado com seriedade”, disse.

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